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Na semana passada tomei uma decisão que, nos dias de hoje, é considerada um bom motivo para algumas questões e um pouco de chacota: a mudança de número de telemóvel/operador.
Se há 15 anos atrás já era muito bom ter telemóvel, mesmo que pesasse 3Kg e não tivesse qualquer beleza estética nem facilidade de arrumação, e independentemente do operador (se não estou em erro, nessa altura só havia TMN e Telecel – agora Vodafone), hoje em dia entramos em pormenores que dão que pensar:
1) Assumimos desde logo que todos têm telemóvel;
2) Queremos saber porque é que tem número do operador A e não do B ou do C... e ficamos chateados se o operador não é o mesmo do nosso;
3) Queremos saber qual o telemóvel que tem, porque é que escolheu essa marca e modelo, se o menu de opções é de fácil navegação, quais as funcionalidades que tem, se comprou já desbloqueado ou foi com os pontos acumulados que a operadora oferece por chamadas efectuadas;
4) Perguntamos pelo tarifário se o telemóvel é mesmo da pessoa e comparamos com o nosso tarifário ou congratulamos essa pessoa por o telemóvel ser da empresa e, a partir desse momento, será sempre ele/ela a fazer as chamadas para nós porque a empresa é que paga;
5) e por último, deve haver ainda alguns pontos para identificar mas neste momento não me está a apetecer pensar em mais nenhum.
Para vos enquadrar neste tema, devo dizer que nunca fui um grande entusiasta dos telemóveis apesar de considerar um bem necessário nos dias de hoje. Comecei a utilizar o telemóvel há 10 anos (um Nokia 5110), quando apareceu a 3ª operadora móvel mas não era (longe disso!) um utilizador frequente nem daqueles que delirava por ter uma capa com cor diferente para o telemóvel todos os dias da semana. O telefone só foi substituido 5 anos depois (em 2001) pelo meu actual (Nokia 6210). Portanto como podem ver, sou um exemplo claro de utilizador retrógado, que no espaço de 10 anos só teve 2 modelos de telemóvel, não acompanhando a evolução para os actuais 3G que fazem tudo e mais um par de botas.
De qualquer forma, e voltando ao tema principal, acho que evolui um pouco a semana passada ao tomar a decisão de mudar de número, operadora e consequentemente o tarifário. O que para mim foi uma decisão simples e racional, para algumas pessoas foi motivo de várias perguntas. Eu mudei porque a minha lista telefónica era composta por:
58% TMN
22% Vodafone
13% Optimus
7% números internacionais
O meu operador era Optimus e o meu tarifário era muito bom entre números Optimus mas um autêntico roubo entre Optimus e outras redes. Mudei para o cartão UZO (rede TMN) com tarifário simples para todas as redes, ideal para um utilizador retrógado como eu, que utiliza o telemóvel para o básico (fazer/receber chamadas e sms’s; utilizar modo despertador e lembrar datas de aniversários) e assim deixa também de receber “bocas” do estilo “Optimus?!? Ninguém tem Optimus! Só mesmo tu!” ou “Epá, vou desligar porque tu tens Optimus e é uma pipa de massa falar para esta rede.” ou mesmo “Bolas, é nestas alturas em que devias ter TMN para falar contigo.”.
Agora a parte curiosa: o feedback que me deram com esta mudança. Começou logo na altura em que estava a enviar sms’s a comunicar o novo número... recebo uma mensagem de um amigo “grande %/(#&%#$”##”$#, é telemóvel da empresa, não? Estamos a subir de nível, hein, meu !#”##”$%&//&/”. Depois de esclarecer o rapaz que o número era mesmo meu e não da empresa e que portanto continuaria a ser ele a fazer as chamadas (sim, porque ele é que tem telemóvel da empresa, enquadra-se no ponto 4...) recebo de seguida outra mensagem, desta vez de uma amiga “mudança de número?! Pode-se saber porquê? Aposto que tem a ver com gajas! Quem é ela? Conta-me tudo...”. É claro que, mesmo após elucidação sobre os reais motivos da mudança, ela não ficou totalmente esclarecida/convencida porque quer acreditar naquilo que ela pensa que é mas que não é.... coisas de mulheres. Entretanto, continuava o rol de curiosidades: alguém que eu não conheço o número enviou sms’s para o número que eu ia desactivar com mensagem erótica sobre metropolitano do Porto (não me perguntem a relação entre o erotismo e o metro do Porto porque não sei responder...), uma amiga meteu-se comigo a perguntar se mudei só de número ou também de telemóvel e entrámos uma vez mais no debate de telemóvel antigo (o meu 6210) versus telemóvel 3G (com fotos, filmes, mms, sms, internet, agenda, etc etc etc). No final, cada um ficou com a sua opinião apesar do Nokia 6210 ser de facto o melhor telemóvel que a Nokia fez e um modelo de referência, se não mesmo de culto! Eh eh eh eh
A decisão foi fácil e natural, o feedback foi curioso e engraçado. Quanto ao resto? Manter o 6210 por muito tempo porque não me está a apetecer explicar mudanças de telemóvel. As explicações à mudança de número e operador já é algo anormal para um utilizador retrógado e básico como eu, que gosta do lema KISS – Keep It Simple, Stupid!
HR

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