Este blog não presta, é fraquinho, não merece o espaço que ocupa no servidor do Blogger.com... Com sorte, o blog não deve durar mais que alguns meses; aos poucos deixa de ter textos sem interesse (sim, porque textos de interesse serão inadmissíveis aqui...); deixa de se fazer manutenção e, com sorte, a Blogger.com expulsa este blog do seu universo. Tudo o que se escreve é ficção portanto Não ligues ao que escrevo.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Pedido de Natal

Querido Pai Natal,

Este ano podes continuar na mesma, ou seja, não me dês nenhuma prenda! Não só porque não te pedi nada como também faço questão que não me ofereças nada.

Considero-me um tipo porreiro, algumas vezes até bem comportado, preocupo-me com as outras pessoas e principalmente por ti, Pai Natal! E assim sendo, zelo pela tua saúde, pelos teus níveis de stress, pelos teus problemas, dúvidas e dilemas, típico nesta época do ano.

Não pretendo que percas o já pouco tempo disponível que tens nos centros comerciais, nas lojas e nos supermercados, a comprar prendas. Não gostaria que pensasses demasiado no que vais oferecer, se é bonito ou feio, caro ou barato, grande ou pequeno, se vou gostar ou não. Ficaria triste se soubesse que passaste o fim de semana todo a escolher prendas para mim, a hesitar e a decidir, a comprar e a desistir, a passar o cartão de crédito vezes sem conta nos TPA´s e a fazer contas no fim do dia para saberes se ainda consegues satisfazer mais caprichos e comprar mais uma lembrança. Iria sentir-me constrangido se soubesse que ficas triste se me dás algo e eu não retribuo também com qualquer coisa. Não quero nada disto, Pai Natal.

Prefiro saber que vais aproveitar esta época para descansar depois do trabalho (sim, porque isto de tratar das renas dá trabalho....), gozares o fim de semana no campo ou perto do mar, fazeres umas corridas ou um passeio de bicicleta para manteres o físico, organizares jantares e almoços com amigos e amigas para manter os contactos e pôr as conversas em dia, mesmo que isso signifique justificares o convite com um simples “é jantar de Natal”. Acredita que todas as pessoas aceitam essa justificação e comparecem ao jantar ou almoço.

De qualquer forma, se queres mesmo oferecer prendas, se consideras isso ponto de honra e porque gostas de ter esse papel de Pai Natal, então oferece nesses jantares, num regime de divertimento e palhaçada, sem grandes esquemas nem grandes ideias, uma coisa simbólica, para marcar o evento, porque o importante foi o estar com as pessoas no jantar e não o presente que ofereceste.

Para mim, basta a tua presença como prenda, Pai Natal. O resto não é importante, pelo menos para mim.

Um bom Natal.

HR

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Duas visões

Saiu recentemente um estudo sobre a Condição Juvenil Portuguesa na Viragem do Milénio. Apesar de não ter tido oportunidade de ler o relatório todo, há resumos com os factos/resultados mais interessantes. Pessoalmente, vou destacar 3:
1) A saída da casa dos papás é cada vez mais tarde (taxa de jovens a viver com os pais passou de 59.6% em 1991 para 76.3% em 2001);
2) O casamento e a procriação também se realizam mais tarde (idade média de casamento para homens é de 28.6 e 26.9 para mulheres);
3) A taxa de divórcio aumenta e a duração média do casamento diminui (duração média dos casamentos passou de 5 a 9 anos em 1995 para 1 a 4 em 2005).

Na minha humilde opinião, isto está tudo interligado mas gostava de mostrar duas visões diferentes:
Visão dos Jovens Tugas
Habituam-se ao “bem bom” da casa dos papás, com a comidinha na mesa, roupa lavada e passada e sem contas para pagar! Quem quer sair de casa dos progenitores?!? É fácil, é barato e poupa milhões!! É claro que as condições actuais em termos de emprego, compra ou arrendamento de casa também não ajudam mas... vale a pena um jovem tuga chatear-se com isso? A prioridade é arranjar emprego e poupar dinheiro para o gastar em viagens, night, copos e vida social!
Visão dos Pais dos Jovens Tugas
Mas será que nunca mais chega o dia do(a) meu(minha) filho(a) arranjar juízo e sair da nossa casa e tornar-se independente, casar e formar família?!?

Visão dos Jovens Tugas
Depois de alguma poupança e muitas viagens, night, copos e vida social, são apanhados na paixão do momento e lá arranjam a cara metade que é sempre a pessoa perfeita. E, como quem não quer a coisa: “Vamos casar! E ter filhos se nos apetecer...”. De repente, esquecem-se do “bem bom” da casa dos pais, o que querem é o “bem bom” da(o) companheira(o), independentemente de saberem ou não se um ou outro sabe cozinhar, lavar roupa e passar a ferro, gerir orçamentos domésticos, gostos diferentes e comuns ou se está consciente da decisão de vida que vai tomar...
Visão dos Pais dos Jovens Tugas
O quê?!? Vais sair de casa? Já? Assim tão de repente? Vais casar? Com quem? Quem é ele(a)? O que faz? Quando a(o) vou conhecer? Acho que não é pessoa para ti... mereces melhor. Não tens dinheiro?!? Os papás ajudam a pagar o casamento, meu(minha) filho(a), não te preocupes! (onde vou arranjar dinheiro para a cerimónia?!?)

Visão dos Jovens Tugas
Após o ritual de jantar com toda a familia de ambas as partes (vulgo casamento...) e as semanas perfeitas e fantásticas da Lua-de-Mel, começam os choques do dia a dia: a minha mãe cozinha melhor! Tens a roupa toda espalhada pelo quarto! Estás a ocupar mais de metade do roupeiro! Quantas vezes já te disse para limpares a casa de banho?! Compraste este quadro/serviço/sofa/carpete?! Não gosto e não fica bem aí! Outra vez a falar do trabalho?!? De onde vêm estas contas?!? Gastámos tanto em luz e água e gás e internet e TV Cabo e comida e, e, e, e..... aaarrrrrgggghhhhhhhhhh.
Visão dos Pais dos Jovens Tugas
Por aqui!? De visita aos pais? Está tudo bem lá em casa? O QUÊ?!? DIVORCIAR?! Já?! Ainda nem passou um ano!! (... o dinheiro que gastámos com a cerimónia deste(a) inconsciente....). Mas porque casaste!!! Eu bem te disse que não era pessoa para ti! Vais já voltar para cá, na casa dos pais é que estás bem!

Visão dos Jovens Tugas
OK! Ser jovem é fixe!


HR