Este blog não presta, é fraquinho, não merece o espaço que ocupa no servidor do Blogger.com... Com sorte, o blog não deve durar mais que alguns meses; aos poucos deixa de ter textos sem interesse (sim, porque textos de interesse serão inadmissíveis aqui...); deixa de se fazer manutenção e, com sorte, a Blogger.com expulsa este blog do seu universo. Tudo o que se escreve é ficção portanto Não ligues ao que escrevo.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Ilha Glamorosa

Papel de mesa do restaurante onde jantei na última noite


Em Julho fui passar uma semana de férias a Ibiza. Estava curioso por saber como era passar férias numa ilha como Ibiza, já que tinha opiniões díspares de quem já lá tinha estado (desde o adorei ao odiei, passando pelo recomenda-se ao dispensa-se).

No final da semana, consegui formar a minha própria opinião sobre Ibiza: Vale a pena a visita.... sabendo de antemão alguns pontos importantes, nomeadamente:

1) As praias são lindas (especialmente as da Ilha de Formentera, autenticamente paradisíacas) pelo que vale a pena o aluguer de um carro para a semana toda, de modo a fazer uma praia diferente por dia, em diferentes zonas/cidades da Ilha de Ibiza.

2) Existem inúmeros tipos de alojamento, com as suas “próprias” condições. É conveniente reservar estadia tendo de antemão algumas referências de quem já lá foi. Eu fui “às cegas”, deparei-me com um autêntico “Big Brother” já que todas as varandas dos apartamentos tinham vista para os apartamentos da frente (e vice-versa, já que o edificio tinha o formato de um “U”). Acabava por ser engraçado ver apartamentos pequenos com 15 pessoas, grupos de raparigas a vestirem-se e preparem-se durante uma a duas horas, rapazes a fumar charros e beber alcool durante o dia todo, mulheres nuas a sair da casa de banho, rapazes a cortar o cabelo de outros para irem para a night, homens a ir à varanda de tanga e fio dental, conversas entre varandas, música a altos berros, etc, etc, etc. Como não sou muito exigente nesta questão porque pretendia estar mais vezes fora do que no apartamento, não tenho razões de queixa onde fiquei.

3) A noite em Ibiza, ao contrário de Lisboa, não inicia à 1h00 ou 2h00 da manhã, começa logo às 20h00, nos jantares e after-dinner. A noite é cara. Nos restaurantes pagas mais do que em Lisboa, as bebidas nos bares também são “upa upa puxadote”. Mas onde se nota mais a diferença é nas entradas para as discotecas. Se queres ir ao Pacha (disco mais popular de Ibiza) numa “noite grande”, paga-se 45€ só de entrada, sem bebidas (à medida que a noite passa, e consoante os bares onde vendem os bilhetes, podes regatear o preço).

4) As pessoas. Há de tudo e é isso que torna Ibiza especial, glamorosa e diferente. Desde todas as formas de expressão sexual até à última moda em termos de penteados, vestuário e calçado, tudo se consegue ver em Ibiza. A liberdade total faz com que 85% das mulheres façam topless na praia (com ou sem silicone) Nota-se a riqueza (€€€) das pessoas na praia (caipirinha, sangria, champagne, marisco e caviar à beira mar e nos iates) e à noite (roupas de marca, diamantes, ouro, etc), o que me fez sentir um pouco deslocado da minha realidade, bem mais modesta.

Estes pontos ajudam as pessoas que lá vão a saber o que lhes esperam! Decerto com um par de mil euros na carteira, conseguem aproveitar ao máximo a vida e o glamour de Ibiza. Eu aproveitei, dentro dos meus limites!

Para finalizar, se tiverem que escolher entre um dia em Formentera ou um dia em Sant Antoni (onde está o famoso Café Del Mar), não tenham dúvidas e prefiram a Ilha de Formentera. Estava à espera de mais no que diz respeito ao Café Del Mar e a vista do pôr do sol a partir da esplanada.... Não preencheu as minhas expectativas, o melhor pôr do sol continua a ser, até ao momento, em Tibau do Sul, Brasil.

HR



City-Boy

Confesso, sou um City-Boy! Estes últimos dias fizeram-me ver o quão importante é a cidade onde vivo e tudo o que a rodeia, ao contrário do que se passa numa pequena aldeia situada na Beira Alta, perto de “nuestros hermanos”.

Aproveitando uns dias de férias, fui para a aldeia no sentido de descansar, recarregar baterias e, acima de tudo, para voltar a ver familia e “velhos conhecidos”, já que os dois anos e meio de ausência tinham gerado ultimamente imensas reclamações e pedidos para eu lá voltar nesta altura, em que decorriam as festas da aldeia.

À data de hoje, o dia a dia na aldeia resume-se a peñas e touros. Uma peña é um conceito importado de Espanha, e resume-se a um grupo de amigos/amigas com a sua própria sede/espaço onde convivem e oferecem bebidas a todos os visitantes da peña. Para além disso, cada elemento paga uma quota, há uma conta conjunta que todas as peñas gerem no sentido de organizarem eventos durante a época das festas, nomeadamente garreiadas, bailes, comes e bebes e afins. Quanto aos touros, todos os dias de Agosto existem touradas (com cavaleiros e forcados), garreiadas (toda a gente pode ir para a praça enfrentar o touro, por sua conta e risco) e encerros (buscar os toiros ao prado até à praça, de cavalo, jeeps, moto 4, motos ou a pé) nas diversas aldeias, vilas e cidades da zona.

Considero que as peñas têm um papel importante no sentido de animar e dinamizar as festas da aldeia, nesta altura cheia de emigrantes e gentes da terra que trabalham nas grandes cidades do litoral. Mas também considero que é importante evoluir, ser mais criativo, ter novidades ano após ano, de modo a evitar a saturação das pessoas que todos os anos vêm o mesmo.

Pessoalmente, ao verificar que os meus dias estavam cingidos a peñas e touros, tentei abstrair-me com leituras e descanso... mas infelizmente não era suficiente! Ao segundo dia estava a ansiar por uma saída à noite em Lisboa, perto do rio ou do mar, por um giro matinal de bicicleta pela marginal, por uma ida à praia, por uns jantares de convívio, por aceder à internet, por ver filmes, por ver canais por cabo, por usufruir da vista do meu apartamento, por vaguear pela cidade de carro, por tudo o que é possível fazer na cidade mas não ali onde estava.

Enfim, enquanto lá estive deu para descansar, não o nego. Mas deu também para concluir que basta uma estadia de dois dias para ver e fazer tudo o que há para ver e fazer na aldeia. Nasci na cidade, cresci na cidade, vivo na cidade, trabalho na cidade e gosto da cidade. Sou um City-Boy, e orgulho-me disso.

HR